As Termas

Quem vai do Hotel às Termas encontra um verdadeiro templo, cujo culto é devotado ao silêncio, ao relaxamento, à saúde, à beleza e à tranquilidade. 

Um notável ambiente integra as duas edificações. Atravesse lentamente este comprido passadiço fechado, adornado por afrescos de paisagens e pontos turísticos do estado, com iluminação natural, vida de pequenas aberturas quadradas no teto levemente côncavo. 

A combinação harmoniosa faz referência explícita à arquitetura das antigas termas romanas, como as de Caracala.

O edifício tem 125 metros de comprimento e 67 de largura, em três pavimentos. São 17 mil metros quadrados de piso, como se dizia nos tempos idos. Pelos corredores, painéis de Genesco Murta, mineiro de Minas Novas, levam nossas lembranças a muitas cidades mineiras.

 

Vitrais

À imponente entrada principal, independente do hotel e aberta ao grande pátio frontal, logo após as escadarias, segue-se a visão surpreendente do “foyer” e sua rotunda de 17 metros de altura, finalizada num domo translúcido e iluminada por magníficos vitrais multicores, outra típica solução da arquitetura romana e mais uma das referências clássicas presentes no projeto de Luiz Signorelli.

Os vitrais da cúpula, trabalho meticuloso do artista belga Frank Urban, contam a história da Estância do Araxá. O primeiro representa o vulcanismo, já que o Barreiro repousa sobre um vulcão extinto há 90 milhões de anos.

O segundo vitral registra a pré-história e os animais que habitaram a região milhares de anos atrás, dos quais diversos fósseis foram encontrados durante as obras do complexo.

O terceiro estampa a cena religiosa dos índios Araxás. O quarto, a ocupação pelos brancos. O quinto, a descoberta das águas. O sexto, os primeiros banhistas.

O sétimo, fazendeiros trazendo animais para beber a água salina. O último vitral mostra as primitivas casas de banho do início do século passado.

No centro desse espetáculo, um vitral circular traz o mapa de Minas Gerais, assinalando as principais estâncias do estado e destacando Araxá. Um detalhe curioso: o mapa está invertido.

 

As paredes do primeiro pavimento contam a história da conquista do “Sertão da Farinha Podre”, do povoamento de Araxá e do descobrimento das águas minerais, estampada em oito cenas, com uma legenda explicativa na base de cada uma.

No segundo piso, Rocha Ferreira desafia os banhos dos povos do mundo. O banho de cascata dos tempos bíblicos; os banhos quentes egípcios, os de água corrente, dos assírios; e banho no Ganges, dos hindus; os banhos públicos gregos e romanos, segundo a interpretação de Waldir Costa, em Araxá – da Maloca ao Palácio.

 

O piso da rotunda, em mármore de pedras pretas e brancas, tem ao centro uma imensa mandala de oito pontas, mais uma das curiosidades do conjunto, pois é preciso fazer algum esforço para imaginar as razões que levaram um arquiteto de inspiração clássica a adotar o símbolo indiano da relação entre o homem e o cosmo.

É de se perguntar, igualmente, o motivo da utilização obsessiva do número oito nas representações desse formidável e encantador espaço circular: oito vitrais, oito painéis, oito afrescos, oito pontas da mandala, oito colunas… Parece óbvia a referência aos ensinamentos de Buda, com as oito etapas que conduzem o praticante daquela filosofia à iluminação espiritual, evocadas pela roda de oito raios, o dharmachakra: a compreensão, a aspiração, a fala, a conduta, a subsistência, o esforço, a atenção e a contemplação.

Para aguçar o clima esotérico, uma corrente de cobre desce da mandala a 30 metros abaixo da superfície e estabelece um contato entre quem se senta ao centro da figura geométrica e as forças naturais, reenergizando corpo e mente.

 

O ambiente das Termas é todo sóbrio, elegante, acolhedor. Músicas suaves embalam o cenário repousante. Pelos corredores que nascem do grande salão da rotunda, em qualquer dos pavimentos, chega-se a várias opções de banhos de imersão em águas sulfurosas e radioativas e a uma variedade de massagens.

São os banhos de lama, aromáticos ou de pérolas radioativas, as massagens com toalhas quentes, a quatro mãos ou a terapia corporal com pedras quentes, além de tratamentos estéticos como peeling de cristal e alecrim termal. As Termas ainda oferecem sauna e ducha escocesa.

Na piscina emanatória de gases sulfurosos, à temperatura de 36º, águas radioativas estimulam o metabolismo e a circulação. Depois de uma seção termal revigorante, a central de sucos, uma descontraída lanchonete, oferece opções tradicionais e misturas exóticas de frutas e ervas.